Vamos falar de artes nos games? + BÔNUS

Vamos falar de artes nos games? + BÔNUS

Quando falam que livros, teatros, filmes, animações e outras formas de entretenimento são artes, todo mundo concorda, mas quando falamos de games é fato que muitas pessoas ficam com um pé atrás em afirmar ser arte. Dizem ser coisa de criança, porém irei mostrar hoje que jogos são artes e podem ser considerados até a maior forma de arte já vista. Pega um lanche e vem comigo!

Antes de qualquer coisa, o que é arte?


De acordo com nossa amiga Wikipédia, a arte é denominada como "atividade humana ligada às manifestações de ordem estética ou comunicativa, realizada por meio de uma grande variedade de linguagens, tais como: arquitetura, desenho, escultura, pintura, escrita, música, dança, teatro e cinema em suas variadas combinações. O processo criativo se dá à partir da percepção com o intuito de expressar emoções e ideias, objetivando um significado único e diferente para cada obra."

Apesar de tudo isso, a arte é algo muito interpretativo, porém não citaram algo semelhante aos games nessa definição da Wiki, certo? Errado!

Se reparar bem, os games reúnem todos desses elementos citados acima. Quer ver?

Desenho: Uma parte artística gráfica do game.
Escultura: Vai me dizer que modelar em 3D não e escultura?
Pintura: Um exemplo claro é a texturização.
Escrita: A grande maioria dos games têm roteiros e alguns games superando de longe vários filmes.
Música: Essa parte depende, se o jogo cria uma trilha sonora espetacular como na franquia Halo.
Dança: É um tanto quanto "viajada", ao invés de dança poderia e seria melhor estar algo como Arte Corporal, pois uma arte marcial e arte de jogos se inspiram em movimentos reais, algumas chegando a usar captura de movimento, temos o exemplo recente do Watch Dogs 2. Outros até com captura facial como o L.A Noire.
Teatro e Cinema: Ambos ficam pela interpretação e estão presentes em games com captura de movimentos e nas dublagens.


Então o motivo pelo qual os games devem ser considerados a maior forma de arte é apenas esse? Novamente, errado!

Outra coisa que só temos nos games e não em outra forma de arte é sua liberdade. Enquanto você lê um livro, por exemplo, tudo está pronto e você deve se contentar em aceitar daquele jeito, já em jogos é diferente. Se um livro conta a história de um assassinato, um homem chega e baleia outro com 3 tiros em sua cabeça, já em um game você pode fazer desse jeito, ou com tiros no peito, talvez atropelando, com armas brancas, poderia causar um acidente, as possibilidades são imensas, alguns exemplos de franquias que sabem muito bem utilizar dessa liberdade são as franquias Grand Theft Auto e Hitman.

Como se sabe, arte ainda é algo muito interpretativo e para muitas pessoas considerarem algo como arte aquilo deve mexer com emoções ou ser algo novo com uma experiência e pensamento totalmente diferente. Isso existe no mundo dos games? Claro que sim!

Agora eu vou citar um pouco dos jogos que se encaixam nesse padrão e que você precisas jogar pra entender realmente como são eles.

Todos os jogos a seguir por mais que eu os explique só serão realmente compreendidos se você os jogar!


Undertale


Um game indie de RPG em que suas escolhas afetam o mundo e alteram o enredo. Usando gráficos pixelados com uma trilha sonora incrível, trazendo ao mundo dos games uma experiência totalmente nova, personagens carismáticos desenvolvido de maneira que você possa rir, sorrir, ficar emocionado, entre outras coisas.


O jogo conta a seguinte história: Há muitos anos na terra existiam humanos e monstros, essas duas raças entraram em guerra, os humanos venceram e usando um feitiço baniram os monstros para o sub-mundo. Durante muito tempo esses fatos foram guardados e uma criança cai em um buraco indo parar no sub-mundo. Além de possuir um sistema de combate em turnos totalmente novo na qual você controla em mini-games para atacar ou desviar de ataques, você pode ir pelo lado pacifico evitando matar os inimigos e poupando a vida deles, isso irá definir o futuro do jogo, pois suas escolhas geram reações no mundo.

Journey


Esse exclusivo de Playstation 3 que fez um grande sucesso comparado a outros jogos indies, você controla uma pessoa que fica no deserto com objetivo de chegar até uma luz. No game você não sabe quem é seu personagem e muito menos nome, idade ou sexo. Tudo que temos que fazer é seguir em direção à essa luz.


O jogo tem alguns Puzzles e diversos locais secretos nos quais você pode explorar, além disso é possível ser jogado no modo online com uma pessoa aleatória, porém não pode se comunicar e muito menos saber quem jogou contigo.

Um game sem história faz varias pessoas criarem teorias do que ele se trata, tendo como uma das mais famosas de ser uma alusão à vida na qual a luz seria o fim.

The Stanley Parable


Criado por um fã de jogos da Valve, como Portal e Half Life, que nem mesmo entendia muito sobre o assunto e foi programando o jogo com ajuda pela internet e teve uma boa repercussão em seu lançamento. The Stanley Parable conta a história de Stanley, um homem que trabalhava apertando botões, ele recebia ordens de quais botões apertar, quando apertar e por quanto tempo apertar. Um dia uma voz o chama e começa a falar com ele, essa voz é o narrador do game conversando e dando ordens para Stanley, porém você não é obrigado à obedecer, porém os fatos são alterados de acordo com as suas decisões.


O jogo conta com diversas referências nada discretas como você literalmente entrar em uma fase do Portal 1Minecraft. O fato de ser um jogo que muda o rumo de acordo com as suas decisões, ele pode terminar de maneiras diferentes.

Não sei se notou, mas ambos os jogos acima, o destaque está na história e na forma em que ela é apresentada ao jogador. São games que criaram uma experiência única em cima disso. Vou mostrar alguns jogos agora que usam do som e imagem para criarem experiências únicas e fantásticas, mas antes apenas falar um pouquinho sobre gráficos realistas, coisa que não pode ficar de fora dos jogos artísticos.

Gráficos realistas

Uma coisa que sempre tem evoluído com os games são os gráficos e o tipo que mais impressiona são os jogos com gráficos realistas que criam experiências incríveis.

Battlefield I: O mais novo jogo da franquia BF trouxe, como de costume da DICE, os gráficos impecáveis.

Crysis 3: Esse jogo com o gráfico lindo feito pela Crytek que assim como a DICE, sempre trouxe jogos com toda essa preparação gráfica e à frente do seu tempo. Por falar nesse game, já tem tem um tempinho que não vemos nada sobre ele.

Final Fantasy XV: Esse RPG que demorou anos para ser desenvolvido e está presente no mundo dos games desde o Nintendinho, agora tem seu novo título trazendo gráficos e efeitos belíssimos, sem contar que há uma ambientação espetacular.

Todos os jogos acima buscam o realismo, mesmo alguns com elementos fictícios, mas não podem deixar de ser considerados como artes.

Agora levando à um estilo diferente que são realmente artísticos que buscam a emoção e não o realismo, incluindo um game que usa do som e imagem ao mesmo tempo.



Trine I,II e III

Essa trilogia indie conta a história de três personagens, Zoya a ladra, Pontius o cavaleiro e Amadeus o mago. O jogo tem gráficos lindos em 2.5D, uma trilha sonora impecável, principalmente no primeiro lançamento. O segundo jogo foi lançado junto com uma versão remasterizada do primeiro usando a Engine Gráfica do II e o terceiro jogo veio agora com uma perspectiva e gameplay totalmente em 3D.


Além dos gráficos e trilha sonora perfeitos, o jogo conta com uma mecânica única na qual você joga usando os três personagens, alterando entre um e outro para resolver os Puzzles do game. Trine tem um sistema de RPG bastante básico.

Ori and the Blind Forest

Esse famoso game, que também é indie, conta a história de um órfão destinado à grandes feitos se passando na floresta de Nibel. Na história ocorre uma tempestade que inicia alguns eventos devastadores, um herói deve fazer sua jornada para encontrar um inimigo sombrio e salvar a floresta.


O jogo com gráficos feitos à mão e trilha sonora feita por uma orquestra, é de ação e plataforma que faz uso de uma história totalmente levada para emocionar o jogador.

AudioSurf

Esse game que parece uma mistura de Guitar Hero com jogos de nave na qual ele trabalha criando as fases com os arquivos de áudio, fazendo uso das músicas com as cores, criando com cada música uma experiência diferente - com Gun's n Roses ficaria perfeito.


O jogo teve uma sequência com AudioSurf II na qual teve melhorias gráficas e conteúdos novos como: poder jogar com humanos, incluindo em primeira pessoa ou carros em plena autoestrada, ficando muito mais dinâmico e viciante. A trilha sonora da gameplay na página da Steam desse jogo é incrível.


O maior exemplo de game artístico 

Com toda certeza o jogo artístico mais reconhecido de todos os tempos é o colossal Shadow of the Colossus - viu o trocaralho do cadilho que fiz agora?


Se tratando de uma sequência não direta de ICO e antecessor também não direto de The Last Guardian, o jogo conta a história de Wander que entra em uma terra proibida, onde ele deve vagar por esse território gigante com seu cavalo Agro para matar os 16 Colossos, que são criaturas gigantescas, para salvar a vida de uma garota chamada Mono.


O jogo tem uma trilha sonora incrível, gráficos muito bem trabalhados, dando destaque para os Colossos e uma mecânica de batalha incrível, você tendo que escalar nos Colossos para achar seus pontos fracos para poder os derrotar é um belo exemplo. O personagem tem como sua arma principal uma espada mágica que mostra onde ele deve ir.


O jogo é considerado para muitos o melhor do Playstation 3, porém para a maioria esse título fica por conta do Grand Theft Auto: San Andreas. Logo após esse game, houve uma espera imensa para o The Last Guardian que apesar de ser muito bom ele não e muito querido pelos fãs por ter uma mecânica bastante diferente.


Menções Honrosas e um resumo


Brothers - A Tale of Two Sons


Esse game conta a história de dois irmãos de idades diferentes. Eles estão procurando a cura de uma doença que está prejudicando a saúde do pai, além disso, antes do jogo começar a mãe dos dois garotos morreu afogada e devido à isso o irmão mais novo é traumatizado e não consegue nadar.


No jogo você geralmente deve resolver Puzzles em um universo impressionante e criaturas mágicas, como os Orcs. Existem partes que somente um irmão pode passar ou fazer determinada ação e tem locais interativos que cada um dos irmãos têm uma reação diferente. Toda a alma do game está ligada à sua história e as emoções passadas vão além de um grande final.


Limbo e Inside


Dois jogos na mesma lista? Como assim?


Ambos os jogos vêm dos mesmos criadores e são bem semelhantes e independentes. No primeiro jogo você controla um garoto em um mundo escuro, resolvendo Puzzles para passar de fase, já no segundo você controla um menino fugindo de um local no qual eram feitos experimentos com humanos para os transformar em zumbis - zumbis do tipo que não fazem nada por si só, e devem receber ordens. Não se sabe como você foi parar lá e não tem nada sobre o enredo, sendo muito interpretativo no qual cada jogador tem sua própria visão da história do jogo.

A semelhança entre os jogos é bem notável, apesar da grande melhoria gráfica.



Unfinished Swan



Você começa a jogar e se depara com uma tela branca até que aperta um botão e joga uma bola de tinta preta, a bola de tinta acerta algo e a tinta se espalha, então você pode ver o mapa devido à tinta, assim o jogo começa. Podendo explorar e passar pelo mapa, uma ideia realmente genial e que funciona muito bem por ter uma ambientação incrível.

Vagrant Story


Esse game certamente não é lembrado como um jogo artístico, na verdade com dificuldade e lembrado como um clássico do Playstation 1. Esse RPG criado pelo Square Soft, atual Square Enix, lançado no ano de 2000 sem continuações até hoje. No jogo você controla Ashley Riot, um agente de elite - sim, Ashley é homem - que tem a missão de investigar uma ligação, durante a missão ele é acusado de assassinar o Duque. O jogo começa uma semana antes de Ashley ser acusado de assassinato, todo o jogo se passa em um universo mágico e tem elementos incríveis como a imersão do mapa bem grande e a capacidade de você poder ir e voltar andando até mesmo ao início do game e um enredo com diversos flashbacks.

O jogo tem um sistema de combate muito legal em que você coloca determinados ataques em determinado botão e deve usar em certos momentos para usá-los.

Apesar de ter apenas um título, o game fez um sucesso estrondoso, vendendo mais de 100 mil cópias em 20 dias, recebendo ótimas notas nas revistas da época, incluindo nota máxima na revista Famistu. Mesmo assim as últimas notícias que temos do jogo foi quando foi portado para PSP e Playstation 3.

Okami


Esse game foi lançado pela Capcom para Playstation 2 que recebeu uma versão para Wii e tem uma das histórias mais bem contadas de todos os games. A cutscene inicial é bastante grande e outras cutscenes durante o jogo não tão grandes assim, tendo gráficos cartoonizados, porém muito bem desenhados e dando um valor gigantesco para a arte. No jogo você usa de magias que utilizam de um pincel, essas magias podem ser para ataque, destruir coisas, criar objetos entre outras coisas.


Quando falam que esse jogo é diferente, ele realmente é. Você controla Amaterasu, a encarnação da deusa do Sol, agora no corpo de uma loba. Uma das coisas que eu achei mais incríveis nesse game foi a mudança feita nos mapas, você chega no local, uma floresta cinza cheia de arvores mortas e sem vida, quando o completa a floresta volta a viver novamente, fazendo com que um cenário morto se torne um local paradisíaco.

Este é Okami, que apesar de ter vendido pouco e que poucas pessoas tenham jogado, ficou na mente de cada um das pessoas que deram uma chance para ele.

Abzû



Dos mesmo criadores de Journey, o game conta com uma história interpretativa e explorando o mapa para resolver os Puzzles, porém a maior diferença é que o cenário se passa agora no fundo do mar. Apesar da mudança total do mapa, o Abzû tem uma parte gráfica bem interessante, além disso, como se passa no fundo do mar e não em um deserto, temos muito mais vida, incluindo plantas e animais, e eles foram feitos realmente como no mundo real, peixes andando em bandos, peixes se alimentando de outros, uma vida marinha muito diversa, tudo isso com uma trilha sonora linda que dá mais vida ao jogo.


Vamos ao conteúdo bônus!


Saindo diretamente dos jogos, também existem inspirações deles em outras mídias. Como toda a trajetória dos games e sua evolução inspiraram a música da consagrada banda Iron Maiden que conta tudo isso com varias referências aos jogos como: Donkey Kong e Mortal Kombat.


Link da música Speed of Light da banda Iron Maiden
https://www.youtube.com/watch?v=-F7A24f6gNc

Link para jogar no navegador
http://speedoflight.ironmaiden.com

Também foi lançada uma versão do game para smarthphones, o Maiden: The Legacy of the Beast que está disponível gratuitamente na Play Store e você pode seguir esse link para baixar https://play.google.com/store/apps/details?id=com.roadhousegames.lotb&hl=pt_BR


Algumas Trilhas Sonoras 

Nós já fizemos um artigo aqui com Top 10 de músicas dos games, onde selecionamos faixas no estilo bem retrô. Como a maioria das pessoas gostam de ouvir música, então como parte desse bônus você vai ter agora uma breve lista de músicas que entraram nos games. Confere aí!

Toda trilha sonora Super Mario Broshttps://www.youtube.com/watch?v=SB1VqLCTFpA
Toda trilha sonora de Doom I e Doom II: https://www.youtube.com/watch?v=cixW6rogZ48
Toda trilha sonora Vagrant Storyhttps://www.youtube.com/watch?v=p16aVlzBOro
Toda trilha sonora The Elder Scrolls V Skyrimhttps://www.youtube.com/watch?v=TWv3DfoiigM
Trilha sonora GTA San Andreashttps://www.youtube.com/watch?v=zIIiDCMKWpw
Trilha sonora GTA IV: https://www.youtube.com/watch?v=jqE8M2ZnFL8
Trilha sonora GTA Vhttps://www.youtube.com/watch?v=KzKvPrIPVbE
Trilha sonora Halo Combat Evolved: https://www.youtube.com/watch?v=ebr-UTWLfyE

Está mais que claro sobre os jogos fazerem parte da arte, são inspirados por arte e respiram arte. Conhece mais algum jogo que não foi citado aqui e que serve como um bom exemplo? Gostou do nosso artigo? Nossa caixa de comentários do Geek Coming está logo abaixo e não esqueça de compartilhar esse artigo nas redes sociais que você usa. Vem interagir com a gente!

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